quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Curiosidades sobre o lado humano do Duque de Caxias !

Aspectos humanos do Duque de Caxias


Numa pequena amostragem, exemplificaremos alguns aspectos da figura humana de Caxias:
Seu casamento foi contrariado pela mãe da noiva pela seguinte razão: o sogro de Caxias fora uma espécie de prefeito do Rio de Janeiro. Defronte de sua residência, que se situava na esquina fronteira ao canto da atual praça da República, próximo ao Hospital Souza Aguiar, havia construído um belo jardim público de que muito se orgulhava. A necessidade de exercitar o Batalhão do Imperador para a guerra da Independência na Bahia determinou a transformação do jardim público em campo de instrução, tarefa em que se envolvera o Tenente ajudante do Batalhão do Imperador, o mais tarde Duque de Caxias. Este fato teria desgostado o pai de sua futura esposa, o qual "teria morrido (sic)" em consequência de mágoas pela destruição do jardim público, por necessidade imperiosa de adestramento militar.
Caxias simbolizava, para essa família, um destruidor do jardim público, embora feito para servir à defesa nacional, numa emergência. Sua futura esposa tinha então cerca de 7 anos.
Mas casaram e tiveram uma união muito feliz e de muito amor, conforme o demonstrou o seu biógrafo Doutor Vilhena de Moraes, e do que aqui se darão amostras documentais, com apoio em seus biógrafos Vilhena de MoraisOsvaldo Orico Affonso de Carvalho:
Escreveu a sua Anica do Maranhão em 10 de agosto de 1840:
"Meu bem! Esta foi escrita as 11 horas da noite em uma barraca de palha em que eu estou morando (...) Tal é o cuidado que me dás e o amor que te tenho que cheio de trabalhos me não esqueço de ti.
Dá um beijo nos meus anjinhos e saudades a todos de casa. Sou só teu. Luiz."
Às preocupações da esposa pela possibilidade de ser atingido por balas, ele respondeu:
"Sou fatalista e desprezo e sempre desprezei a morte, porque sei que nada se pode fazer senão o que Deus for servido. E tanto se morre no meio de balas e dos pântanos, como em boas cidades."
Pacificando a Revolução Liberal, em Minas Gerais, em 1842 , escreveu à esposa:
"Creio que os rebeldes não se baterão comigo, a quem disseram que iriam quebrar o encanto. Dá saudades as nossas filhinhas, para quem tenho umas bonecas feitas de pedra (sabão) feitas aqui."
Ao pacificar São Paulo, Caxias mandou-lhe a quantia de 200 mil réis, que equivalia a um mês de seu soldo de Brigadeiro, para que ela comprasse um vestido bonito para juntos irem no primeiro baile que tivesse lugar na Corte.
Durante a Revolução Farroupilha, em 2 de abril de 1844, do Acampamento da Guarda Velha de Santa Maria, em marcha sobre Bagé, escreveu-lhe algumas considerações sobre sua missão:
"Meu bem, para evitar que os rebeldes do Rio, que são piores que os daqui, possam espalhar alguma notícia que possa afligir-te" E mais adiante -"Eu estou bem e sempre atráz dos farrapos que passam e repassam para o Estado Oriental (Uruguai), mais rápido que eu mudo de camisa. Não creias em mentiras que por aí se espalham sobre o poder deles." E entra no assunto pessoal:
"Bem me tenho lembrado de que depois de amanhã é o dia de visitação das igrejas e que não as irá visitar por eu não estar aí, o que bem me penaliza (causar pezar). Li nos jornais a chegada aí na Côrte de uma Companhia Italiana de Canto. Como não terá você pena de não poder ir ao teatro. Eu lhe prometo que ao aí chegar tomarei um camarote efetivo para as peças e lhe prometo não saio mais do Rio, custe o que custar! Saudades a sua mãe e beijos as nossas filhinhas. Seu marido que a adora - Luiz."
Do Paraguai, escreveu à sua Anica reafirmando-lhe o seu imenso amor :
"Eu tenho o coração maior do que o mundo. Tu bens sabes. E nele só tu cabes !
Que te parece? Até estou poeta!"
Ao falecer sua esposa, agradecendo os votos de pêsames enviados por seu genro Visconde de Ururay de Quissamã (Macaé), escreveu-lhe:
"Meu Manoel Carneiro!
Recebi sua carta de 29 março, e lhe agradeço o sentimento que mostra pela prematura morte de minha idolatrada mulher. Sem dúvida ainda na minha longa vida havia sentido dor maior! Parece que ainda sinto o aguçado punhal cravado em meu coração!!! Altos destinos da Providência Divina! Ela está no céu, sem dúvida, pois que é o derradeiro dos anjos e não neste mundo infame de enganos e ilusões.
Diga a minha pobre filha (Ana de Loreto) que sua mãe não se esquecia dela um só instante e que repetiu o seu nome e o de Aniquita poucos instantes antes de perder a vida.
Resta-me a única consolação de que nada lhe faltou. Pois cinco médicos a viram. Dois de um sistema e três de outro, mas o mal era de morte, e seus dias estavam contados (...) e eu só fiquei para chorá-la (...)
Peço-lhe que agradeça a seus manos, cunhados e Exma Sra Viscondessa, os pêsames que me enviaram e me desculpo por não lhes responder agora, pois ainda estou atordoado com o golpe que sofri e nem sei o que escrevo.
Logo que Aniquita (Ana de Loreto) esteja desembaraçada, espero que venham, pois não desejo morrer sem abraçar meus filhos e meus netos.
Seu sogro que muito o estima - Luiz"
À dama do Paço D.Maria José de Siqueira, amiga íntima, prima e comadre de sua “Anica ele escreveu em 20 abr 1874:
"Minha estimável comadre e senhora.
Entre os papéis da miha adorada Anica, encontrei uma nota em que ela tinha escrito, por sua letra, que pretendia deixar, como sinal de lembrança, à sua prima e comadre Maria José, os seus brincos de esmeraldas e brilhantes.
Minha comadre sabe que a vontade desse Anjo de bondade, tem força de Decreto para mim que tanto a amava, por isso aí vão os brincos. Lhe peço que os aceite como presente da sua íntima amiga, que Deus levou para o Céu, deixando-me só neste mundo para chorá-la.
Não os vou entregar pessoalmente como devia, porque sou um covarde, e não me animo para isso.
Seu compadre que muito a estima. Ass: Duque de Caxias."
Caxias, segundo testemunhos de parentes 21 residentes em Quissamã-Macaé em 1955, tratava a esposa de Meu Bem, Minha idolatrada mulher e no final de seus dias Minha querida Duquesa ou Minha Duquesa e por Anica na intimidade. Suas filhas tratava de Anicota e Aniquinha e seu filho Luiz, enquanto viveu tratava e era tratado de Cadete ou Cadete Luizinho e Luizinho em família. Na intimidade Caxias era tratado de Luiz e assim assinava suas cartas.
Conta-se que Pedro Américo pintou Caxias na batalha de Avaí com a túnica desabotoada. E quando Caxias foi visitar a obra em companhia do Imperador, visivelmente contrariado teria falado a D. Pedro II:
"Gostaria de saber onde o pintor me viu de farda desabotoada e, nem no meu quarto."
Dizem que Pedro Américo procurou ali representar Caxias com o fígado inchado, em consequência de moléstia hepática crônica que adquirira no Maranhão. Mal que viera a se manifestar agudo no Paraguai.
Durante um Te Deum na Catedral de Assunção, ao qual Caxias compareceu com todo o seu Estado-Maior, ele sofreu uma síncope, caiu ao solo e bateu forte com a cabeça. Ficou desacordado cerca de meia hora, segundo Affonso de Carvalho.
O cirurgião-mor que o acompanhava insistiu para que deixasse o comando e fosse se tratar no Brasil. Caxias concordou, já que estava convencido do término da guerra ao nível estratégico com a conquista que liderou do objetivo militar da Tríplice Aliança – Humaitá, e do objetivo político  – Assunção.
Deixou o Paraguai na noite de 22 de janeiro de 1869 e, em 7 de fevereiro de 1869, de seu Quartel-General em Montevidéu, deixou o Comando. Em sua Ordem do Dia no 275, justificou:
"Achando-me gravemente enfermo, e tendo obtido licença (médica) para tratar de minha saúde no Brasil, é com o coração oprimido pela dor que sinto, ao separar-me do Exército, a quem me coube a honra de comandar, que me dirijo aos meus camaradas para dizer-lhes (...) Se porventura, eu tiver ainda a fortuna de restabelecer-me nos lares pátrios, contem os meus bravos companheiros de glórias e fadigas, que ainda um dia voltarei para continuar a ajudá-los na árdua campanha que nos achamos empenhados (...) Ass: Marquês de Caxias."
Segundo Vilhena de MoraesCaxias trouxe do Maranhão um índio órfão de mãe, filho de um cacique. Deu-lhe o seu nome Luiz Alves. Era de toda a confiança da família e ajudaria a criar o filho legítimo de Caxias. Contam que, vez por outra, atingido por um sentimento misterioso, o pequeno índio saía de casa e passava dias vagando pela floresta da Tijuca, até se refazer de uma espécie de depressão. Foi a ele que o grande soldado deixaria, em testamento todas as suas roupas de uso pessoal.
E aí fala o Caxias poeta, como o foi Osorio. E, à bela jovem (Paulita) que tinha idade para ser sua filha, Caxias dedicou este poema de sua lavra, conforme Dino Willy Cozza em "Caxias lado romântico". RIHGB. no 383, abr/jun 1994. p.395:
Poema que Caxias escreveu no álbum de Paulita, ao lado de impressões de outras altas autoridades que frequentavam o solar da casa do Corregedor D. Miguel, como o Barão de Porto Alegre, o Almirante Grenfell e Marquês do Paraná, além de outras personalidades:
"Paulita
Entreaberto botão, entrefechada rosa,
Um pouco de menina, um tanto de mulher.
Lindo botão bem conheço,
A rosa de onde procedes:
Olha... e verás que ainda hoje,
Em beleza não na excedes.
No Pantanoso eu a vi,
Inda tão bela e viçosa.
Hoje o Pampeiro da vida,
Dobra-lhe a fronte formosa.
Não importa, inda eu vejo,
Com toda a nobreza e graça,
Que só o sepulcro extingue,
Beldades que são de raça.
Lindo botão, deves ter,
Justo desvanecimento,
Por nasceres de uma rosa,
De tanto merecimento.
Saberás que as flores têm,
Sucessiva Dinastia,
E pertenceu sempre a rosa,
A mais nobre Hierarquia.
Os espinhos que te cercam,
Não são para te ferir.
Simbolizam as virtudes,
Que sempre deves seguir.
Servem para defender,
Tua angélica beleza,
Da ímpia mão que pretenda,
Manchar tua pureza.
Sua preocupação em abolir os Artigos de Guerra do Conde de Lippe é muito reveladora: Ao derrogá-los, justificou nos seguintes termos as razões de sua abolição:
"Trata-se de Legislação que se acha em formal antagonismo com as instituições que nos regem, e a cujas penalidades repugnan a razão e o direito e assim reclamam altamente uma reforma, de que resulte quanto possível um Código Penal Militar, que abranja em sua sanção os crimes propiamente militares cometidos por praças e oficiais em serviço como fora dele."
Ao dotar o Exército do Regulamento correcional de transgressões disciplinares, avô do atual Regulamento Disciplinar do Exército, assim justificou a medida:
"Tal regulamento, é propiamente o regulamento policial da disciplina interna dos corpos, o qual deve ser considerado base, como o principal elemento da alta disciplina. Ele é essencial para coibir o abuso, infelizmente tão generalizado no Exército, da aplicação de arbitrários castigos correcionais."